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Max Weber tem razão

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Volto ao tema que abordei ainda em fevereiro sobre o porquê de não haver chances para candidatos mornos, que a imprensa costuma rotular de Terceira Via.

Há inclusive um presidente de partido, que, em duas eleições, apostava que um candidato cálido ou de terceira via se sagraria vencedor. Perdeu a aposta duas vezes; a segunda foi ainda mais aguda.

A imprensa comentadora vinha sempre tecendo loas à sua sabedoria política, como se esse presidente partidário fosse um intérprete credenciado do Oráculo de Delfos.

O que a realidade apresentou no último dia 4 de outubro e que se encaminha para confirmar no próximo 25 é que não se pode deixar de considerar o carisma, como uma força política indomável.

Lá em fevereiro, este Instituto apresentava uma teoria de que esta eleição teria dois candidatos, ambos com carisma. Um com um carisma original, próprio; e outro, com carisma herdado do pai, o qual por determinação do STF está impedido até de falar.

Esta seria uma pena acessória tal qual a pena de degredo dos tempos antigos. Foi degredado em sua casa, mas proibido de interagir com os filhos e de dar entrevistas. Entretanto, o silêncio compulsório foi eloquente o suficiente para o povo perceber que algo injusto estava sendo cometido na República.

A injustiça vinha chamando a atenção, quando até a saúde precisaria de um salvo-conduto judicial de um ministro da Suprema Corte, para o homem comparecer ao hospital.

A arrogância precede a queda

Nesses quatro anos passados, o que mais foi mostrado, traduzido pelos veículos de comunicação, era a soberba da autoridade judicial. Decidia, com crueldade, a vida de pessoas simplórias, que se supunham ter agido com fundamento de amor à Pátria e à justiça.

A soberba judicial os condenou a penas tão desproporcionais, que latrocidas não receberiam de juízes na primeira instância.

A arrogância do ministro que proclamava a pena, ao mesmo tempo em que exibia um sorriso sádico, perturbava o cidadão comum. Percebia, mesmo que desfocada, que a pena não era jurídica, era castigo ideológico.

Tanto notava o povo, que as pesquisas anos antes vinham demonstrando que o Poder Judiciário, especialmente o STF, já não tinha a confiança da Nação.

Voltando a Weber: ele dizia que o carisma só termina com a morte. E, mesmo assim, o clã do líder guerreiro poderia manter o fenômeno por anos.

Acreditaram que tinham derrotado o Bolsonarismo, que o “mané perdeu”. Entretanto, não foram capazes de lembrar de outro axioma político-psicológico, agora de Maquiavel: “o mal deve ser feito de uma vez”, não torturando lentamente o povo.

A tortura chegou ao ápice quando ao povo foi trazido o escândalo do Banco Master. Com ele surge a rachadura definitiva na máscara de juiz implacável do Estado Democrático de Direito.

Graças à vaidade dos pavões togados, o povo pode assistir, ao vivo e em cores, pela TV Justiça, como eram as mensagens promíscuas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com as mais altas autoridades do Poder Judiciário, especialmente as com o juiz inclemente: “Não dá para barrar isso aí?” “Será que devo sair do país?”.

Quando outro Ministro trouxe ao plenário que na relatoria dele não havia distorções, o povo percebeu que a elite jurídica não defendia Estado Democrático de maneira alguma. Eles defendiam sim primeiro os seus pirões milionários.

Ali, o Contribuinte do Governo e Eleitor na Democracia entendeu que a propaganda incansável da contenda jurídica em favor do Estado de Direito era uma hipocrisia. Eles utilizaram desse pretexto nobre para valorizar a intermediação político-jurídica, nesta nossa democracia capitalista de laços.

Polpudas contrapartidas, esbeltas senhoritas e destilados caros e bregas eram oferecidos como um meio de formar laços políticos em busca de condescendências legais.

Mas nesse caminho tinha uma pedra, uma pedra no meio do calendário eleitoral. A estratégia do calendário eleitoral do candidato à reeleição esperava que se lançasse uma pedra na trajetória da oposição.

Ocorre que a pedra no caminho da reeleição foi muito grande para o antes favorito desviar sem perigo. O candidato da situação colidiu com o parceiro do consórcio político que ainda domina o país.

Para aqueles adeptos do historicismo político, que costumam acreditar que o passado define o futuro, é preciso dizer-lhes que o imponderável acontece.

O imponderável veio daquele setor do Estado de Direito que é conhecido como a estabilidade superior, o detentor da última palavra, em caso de divergências no ambiente político irreconciliável.

A internet fez o trabalho final: Lula é Moraes; Moraes é Lula. Neste momento, quem desempenhava o papel de Cabo Eleitoral do petismo acabou jogando contra o próprio patrimônio.

O imponderável do STF funcionou como um cabo eleitoral invertido. Asfaltou o caminho para dar vitória ao Candidato da Oposição, o filho do proscrito, que tanto o STF queria apagar a memória.

A poucos dias da segunda parte da eleição, o candidato herdeiro do Carisma, Flávio Bolsonaro, já é o virtual vencedor, segundo todas as pesquisas.

Em 4 de outubro, ele conseguiu eleger a maior bancada pró-impeachment do Senado. Na Câmara dos Deputados, elegeu quase o dobro dos deputados do partido da situação.

Depois do dia 25 de outubro, as novas forças políticas começarão a esquentar os motores para fazer vingança política.

O Ministro Alexandre de Moraes já teve o passe vendido aos lobos que serão soltos ano que vem. Outros parceiros das inexoráveis sentenças já buscam uma tábua de salvação. Outros ministros também já estão cotados a subirem ao cadafalso.

A partir do ano que vem, o povo do Brasil deverá ser testemunha daquela frase de que não há um mal que dure para sempre e verá a prévia da justiça divina mostrar a sua face.

Um brinde!