
Gabriel de Arruda Castro*
Luiz Guilherme Hertel Santiago**
Introdução
Enquanto as eleições de 2026 se aproximam, e com elas o final de mais uma legislatura na Câmara Federal, é preciso olhar para trás e analisar como os deputados brasileiros agiram quando a vida, a liberdade e a responsabilidade estavam em jogo.
A época de eleições sempre vem repleta de discursos embelezados em defesa de valores. Não faltam bandeiras verde-amarelas, símbolos religiosos, discursos bem produzidos. Os candidatos usam esses elementos para convencer os eleitores de que as suas promessas são verdadeiras. Mas, passada a eleição, como saber se eles permaneceram fiéis aos princípios que defenderam durante a campanha?
Foi em resposta a esse problema que o Instituto Monte Castelo criou o Ranking de Plenário, ainda em 2018. Desde então, aprimoramos esse mecanismo de acompanhamento das principais votações da Câmara dos Deputados.
Metodologia
Nesta edição, analisamos 50 votações na Câmara dos Deputados entre 2023 e 2026. Essas votações correspondem a 48 propostas, já que duas delas foram votadas em dois turnos por serem Propostas de Emenda à Constituição. As votações foram divididas em duas categorias: de um lado, Economia e, de outro, Sociedade e Instituições.
O bloco de Economia valoriza os deputados que defenderam a liberdade econômica, o direito de propriedade e a diminuição do Estado.
Já o bloco Sociedade e Instituições leva em conta a proteção da vida, a defesa da família e a valorização dos direitos individuais (como a liberdade de expressão, o armamento civil e o direito de autodefesa), além do apoio a projetos que coíbem a corrupção e o abuso de poder por parte de setores da República.
Para pontuar, o deputado deve votar de acordo com a recomendação do Instituto Monte Castelo. Cada votação recebeu um peso de 1 a 3, de acordo com a importância do tema abordado. Deputados que votam de forma contrária à recomendação, se ausentam ou se abstêm não pontuam.
A nota final é atribuída com base na pontuação agregada de cada deputado. Em uma escala de 0 a 10, 0 significa que o deputado não votou nem uma vez de acordo com a recomendação; a nota 10 significa que ele votou 100% das vezes conforme o voto recomendado.
Para minimizar distorções, o ranking inclui apenas os deputados que estavam no exercício do mandato em mais de 50% do total das votações que analisamos (ou seja, em pelo menos 26 das 50 votações).
Nota por Unidade da Federação
Na média por estado, a maior nota ficou com Santa Catarina: 6,88 pontos. Rondônia (6,72) e Mato Grosso (6,24) também se destacam.
As piores notas foram a do Piauí (2,65), Bahia (3,22) e Ceará (3,35).
Nota por Partido
O NOVO continua sendo o partido com a maior nota (9,07). O partido havia tido um desempenho semelhante na edição anterior do ranking, que analisou as votações de 2019 a 2022. A novidade fica a cargo do PL, que passou a ocupar o segundo lugar (7,17 pontos de média). Embora de lá para cá o PL tenha se consolidado como um partido claramente conservador, a sigla ainda possui em seus quadros integrantes menos ideológicos e mais alinhados ao Centrão. Isso impede que o partido atinja uma média mais elevada.
No outro extremo, PT (0,98) e PSOL (1,00) ocupam os dois últimos lugares da lista.
A média geral das notas caiu de 4,55 (em 2022) para 4,17 (2026).
O Ranking de Plenário completo
A maior nota nesta edição do Ranking de Plenário foi a deputada Caroline de Toni (PL-SC): 9,6. A lista das 10 maiores notas tem seis parlamentares do PL e quatro do NOVO. Veja a lista completa abaixo.
Clique no nome do parlamentar para ver como ele votou em cada proposta analisada pelo ranking.
Ranking de Plenário Monte Castelo (2023–2026)
| # | Deputado | Partido | UF | Nota Final | Economia | Sociedade |
|---|
*Doutor em Ciência Política pela Universidade do Kansas e mestre em Administração Pública pela Universidade da Pensilvânia.
**Cientista político formado pela Universidade de Brasília.
