
Luiz Guilherme Hertel Santiago
Gabriel de Arruda Castro
Fevereiro de 2026
Na última edição do relatório Mortalidade Policial, o cenário era de estagnação na redução do número de policiais assassinados no Brasil. Neste quinto ano de monitoramento, essa realidade alarmante começou a apresentar mudanças.
Ao passo que, em 2024, o total de policiais assassinados no Brasil havia sido de 186, esse número desceu para 173 em 2025. A queda foi de 7%.
Dentre essas 173 baixas, constam 111 policiais militares, 29 policiais penais, 26 policiais civis e 7 guardas municipais.
Evolução da Mortalidade Policial no Brasil
Fonte: Instituto Monte Castelo/SINESP
Em 2025, houve uma expressiva redução nas mortes de policiais militares (de 145 para 111, equivalente a cerca de 23,45%). Na Polícia Rodoviária Federal, também houve redução (de 1 para 0). No entanto, o número de policiais assassinados cresceu na Polícia Civil (de 15 para 26) e na Polícia Penal (de 20 para 29). Isso representa um aumento de 76,36% e 45%, respectivamente. Nas Guardas Municipais o número também cresceu de 5 para 7.
Assim como na edição anterior, os dados foram obtidos junto ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (SINESP). Na metodologia adotada, são levadas em conta os casos de “Morte violenta de profissionais de segurança pública e Guardas Municipais, da ativa ou no exercício das funções, em serviço ou fora dele”, conforme o texto do anexo I da Resolução CONSINESP/MJSP Nº 6, de 8 de novembro de 2021.
Nas duas primeiras quatro edições, o relatório Mortalidade Policial do Instituto Monte Castelo usou apenas dados colhidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Não havia uma base de dados centralizada sobre o total de agentes de segurança assassinados. Com a criação e o aprimoramento do SINESP, gerido pelo Ministério da Justiça, o relatório passou a utilizar esses dados.
Por uma questão de padronização, o gráfico abaixo utiliza apenas os dados do SINESP para os anos anteriores.
Na década entre 2015 e 2015, 2.671 agentes de segurança foram assassinados no Brasil.
Como pode ser observado no gráfico acima, a tendência de estagnação dos últimos anos no número de policiais assassinados mudou, com uma queda de 7%, alcançando o menor número desde 2015. Antes disso, a diminuição anual mais acentuada na mortalidade policial havia ocorrido entre 2018 e 2019, com uma redução de 44%.
Números por Unidade da Federação
Na contramão da queda geral no número de mortes de policiais, o estado do Rio de Janeiro continua aparecendo com o maior número entres os estados do Brasil. Além disso, em comparação com os seus próprios resultados no ano anterior, o Rio passou de 53 policiais assassinados em 2024 para 69 em 2025, um aumento de 30,19% . Em seguida, os estados com o maior número de mortes em números absolutos foram São Paulo, Pará, Rio Grande do Sul e Maranhão.
Já os estados que não registraram assassinatos de policiais foram Acre, Mato Grosso do Sul, Paraná, Roraima, Santa Catarina e Sergipe.
Além de monitorar o número absoluto de mortes por estado, outra informação que ajuda na compreensão da mortalidade policial é a comparação em relação ao efetivo da polícia militar de cada estado. Para esse cálculo, utilizamos os dados mais recentes sobre o número do efetivo das polícias militares e civis, de 2024, fornecidos pelo SINESP.
O estado com o maior índice de mortalidade policial é também é Rio de Janeiro, com 0,96 policiais militares ou civis assassinados para cada 1.000 na ativa.
Índice combinado (PC + PM)
Mortes por 1.000 policiais — soma Polícia Civil + Polícia Militar
Agentes de Segurança Assassinados em 2025, por Unidade da Federação
| UF | Polícia Militar | Polícia Civil | Polícia Penal | Guarda Municipal | Total | Mortalidade por 1.000 policiais (PC+PM) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Rio de Janeiro (RJ) | 39 | 8 | 22 | 0 | 69 | 0,96 |
| Pará (PA) | 12 | 2 | 0 | 2 | 16 | 0,74 |
| Maranhão (MA) | 6 | 1 | 0 | 0 | 7 | 0,55 |
| Tocantins (TO) | 1 | 1 | 1 | 1 | 4 | 0,48 |
| Rio Grande do Sul (RS) | 7 | 2 | 0 | 0 | 9 | 0,39 |
| Alagoas (AL) | 3 | 0 | 1 | 0 | 4 | 0,31 |
| Pernambuco (PE) | 5 | 1 | 0 | 0 | 6 | 0,3 |
| São Paulo (SP) | 21 | 8 | 0 | 2 | 31 | 0,28 |
| Piauí (PI) | 2 | 0 | 0 | 0 | 2 | 0,24 |
| Amapá (AP) | 0 | 1 | 1 | 0 | 2 | 0,22 |
| Ceará (CE) | 4 | 1 | 0 | 0 | 5 | 0,2 |
| Amazonas (AM) | 2 | 0 | 0 | 0 | 2 | 0,19 |
| Paraíba (PB) | 2 | 0 | 1 | 0 | 3 | 0,18 |
| Rio Grande do Norte (RN) | 2 | 0 | 0 | 0 | 2 | 0,18 |
| Rondônia (RO) | 1 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0,16 |
| Bahia (BA) | 2 | 1 | 0 | 1 | 4 | 0,08 |
| Goiás (GO) | 1 | 0 | 0 | 0 | 1 | 0,06 |
| Minas Gerais (MG) | 1 | 0 | 0 | 1 | 2 | 0,02 |
| Acre (AC) | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Distrito Federal (DF) | 0 | 0 | 1 | 0 | 1 | 0 |
| Espírito Santo (ES) | 0 | 0 | 1 | 0 | 1 | 0 |
| Mato Grosso do Sul (MS) | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Mato Grosso (MT) | 0 | 0 | 1 | 0 | 1 | 0 |
| Paraná (PR) | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Roraima (RR) | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Santa Catarina (SC) | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
| Sergipe (SE) | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
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