por Mike Gonzales, da Heritage Foundation

A perseguição de cristãos tem sido uma ocorrência comum em boa parte do Oriente Médio e na China, mas uma perseguição igualmente virulenta está acontecendo não muito longe do território dos Estados Unidos, com pouquíssima atenção global.

Em nenhum lugar isto é mais evidente do que sob o regime do ditador nicaraguense Daniel Ortega.

A Igreja Católica tem sido um alvo comum do desprezo e de acusações de atuar contra o regime esquerdista, apesar de ter uma história de teologia da libertação e de ativismo pró-esquerda na Nicarágua.

Ortega, um revolucionário sandinista que se tornou ditador e retornou ao poder em 2007 depois de comandar a Nicarágua por uma década nos anos 80, nunca foi favorável à Igreja Católica. Entretanto, desde que o clero apoiou protestos estudantis em 2018, o seu governo intensificou de forma significativa a perseguição  contra qualquer setor da sociedade civil que ouse se expressar. 

Em abril, Ortega mantinha pelo menos 181 presos políticos. 

Desde 2018, a Igreja Católica na Nicarágua enfrentou 190 ataques diferentes, desde incêndios, ataques de paramilitares do governo, e o exílio de padres proeminentes e de figuras religiosas críticas do regime Ortega.

Um total de 18 freiras católicas das Missionárias da Caridade perderam o seu status legal em 28 de junho, foram removidas da Nicarágua sob escolta da polícia e enviadas ao exílio na vizinha Costa Rica, sob acusações de subversão política e de apoio ao terrorismo.

Em um relatório recente do Observatório Pró-Transparência e Anticorrupção, um grupo da sociedade civil da América Latina, a advogada Martha Patricia Molina Montenegro afirmou que o regime de Ortega “iniciou uma perseguição indiscriminada contra bispos, padres, seminaristas, religiosos, grupos leigos e a tudo o que tenha relação direta ou indireta com a Igreja Católica”.

O governo Trump falou abertamente em oposição à perseguição de cristãos por Ortega, com o vice-presidente Mike Pence repreendendo Ortega e o ditador venezuelano Nicolás Maduro por suas violações à liberdade religiosa e à liberdade de expressão.

O governo Biden, por outro lado, pouco fez para ajudar os cristãos da Nicarágua e da América Latina em geral, tentando estabelecer laços com os regimes de esquerda da região e admitindo repetidos contatos com o regime de Ortega.

Em resposta aos esforços da Igreja Católica para mediar os protestos em 2018, Ortega e seus aliados rotularam a igreja, que reivindica 60% da nação como aderente, como “comprometida com os golpistas [e] parte do plano golpistas”.

O Monsenhor Silvio Baez, um crítico proeminente do regime, foi forçado a fugir do país em 2019 depois de receber um telefonema da Embaixada dos EUA avisando-o de uma iminente tentativa de assassinato. Baez já havia sido espancado e esfaqueado por agressores desconhecidos e recebeu um fluxo constante de telefonemas ameaçadores antes de seu voo da Nicarágua.

A Igreja Católica e seu clero têm sido críticos proeminentes da corrupção e da violência do governo, mas desde 2018 a violência tem sido mais direcionada, como evidenciou o episódio com Baez.

A crescente repressão de Ortega e a má gestão econômica levaram a um êxodo em massa de nicaraguenses, religiosos ou não, para os Estados Unidos.

O Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA estima que pelo menos 170.000 nicaraguenses chegaram aos Estados Unidos desde o início de 2021. Ortega também permitiu que a ditadura cubana utilizasse a imigração para extrair concessões dos EUA, retirando as restrições de visto para dezenas de milhares de cubanos a caminho da fronteira dos EUA por meio da Nicarágua.

Embora os protestos que originalmente estimularam a repressão do governo nicaraguense tenham sido reprimidos em sua maior parte, o regime de Ortega continua a atacar a Igreja Católica e seus fiéis em uma busca para expurgar toda a dissidência.

Líderes nos EUA e em todo o Ocidente devem defender os direitos dos cristãos nicaraguenses perseguidos e responsabilizar Ortega por sua violação dos direitos humanos antes que essa violência aumente ainda mais.

Artigo publicado originalmente pela Heritage Foundation