por Gabriel de Arruda Castro

Há um mês, eu estava em Ramallah, na Cisjordânia, não muito longe do mausoléu de Yasser Arafat e da sede da Autoridade Palestina. Eu era o único brasileiro em um grupo que tinha 12 americanos e três palestinos. Estávamos a ouvir uma história extraordinária: a de um jovem palestino, de família muçulmana, que se converteu ao Cristianismo e agora trabalhava para levar a mensagem do Evangelho a outros como ele. É um rapaz articulado, cheio de planos, e que certamente fará algo marcante pelo seu povo.

E o Brasil é parte essencial desta história.

Acontece que o tio do rapaz havia se mudado para o Brasil muitos anos antes. Em Brasília, conheceu o Evangelho e tornou-se cristão. Em uma das viagens para visitar a família, falou sobre isso ao sobrinho, que se interessou pelo Cristianismo e, auxiliado pelo familiar, iniciou um processo de conversão.

De repente, me voltou à mente um sentimento da grandeza do meu país e do impacto, muitas vezes difícil de medir, da existência do Brasil e de seus valores.

Também me lembrei de algo que o filósofo cristão William Lane Craig havia me dito algumas semanas antes, em uma entrevista que fiz com ele para a revista Oeste: que o Brasil será uma das potências espirituais deste século.

De certa forma, isso já é visível. O Brasil é hoje o segundo país que mais envia missionários mundo afora, atrás apenas dos Estados Unidos. É um sinal de que ainda temos a vitalidade já ausente em outras nações, cansadas, envelhecidas, céticas quanto às próprias virtudes e envergonhadas da própria história.

Outro exemplo simples: no levantamento World Values Survey, que reúne dados de pesquisas de opinião mundo afora, o Brasil está muito acima da média mundial quando o tema é a defesa da vida. De acordo com a plataforma, 64,1% dos brasileiros afirmam que o aborto “nunca é justificável”. Os números são de 6,5% na Holanda,  8,6% no Canadá, 21,8% nos Estados Unidos, 25,6% em Portugal, 36,3% no Chile,  46,8% no México e 47,7% na Argentina.

Neste Dia da Independência, enquanto nos empenhamos nas batalhas políticas – e nós devemos fazê-lo, porque esse é um front essencial – não nos esqueçamos de que outros compatriotas, dentro e fora das nossas fronteiras, estão dedicando suas vidas à construção de um reino ainda mais importante, porque eterno.

O Brasil é gigante por natureza, com sua geografia monumental e tão rica. Mas também é gigante por causa de seu povo. É graças a isso que podemos comemorar mais um ano de Independência.