Como regra, o governo deve intervir na economia apenas quando for estritamente necessário. Uma pandemia imprevisível é um desses casos excepcionais. A preservação da vida dos cidadãos precisa ser a prioridade do Estado, e, no caso do coronavírus, as evidências da medicina apontam para a necessidade de restrições à circulação de pessoas, embora o grau de intensidade dessas medidas seja alvo de debates.

A paralisação de setores da economia tem impacto imediato sobre trabalhadores formais e informais. Dessa forma, assim como os Estados Unidos e outros países, o Brasil precisará apoiar seus cidadãos que perderam suas rendas subitamente e estão desassistidos.

Parte da solução deve vir em breve, já que a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta, originalmente do Executivo, que dá um auxílio temporário a trabalhadores autônomos de baixa renda. Pela redação final, o valor será de R$ 600 reais mensais, inicialmente por três meses.

Mas será preciso ir além e estender o auxílio a outras categorias prejudicadas pelas restrições causadas pela pandemia. Ao mesmo tempo, a matemática das contas públicas precisa se equilibrar.

Por isso, faz sentido que os servidores públicos, em especial os que ganham muito acima da média, deem sua cota de sacrifício e tenham os salários reduzidos, como propuseram membros do governo e do Congresso. A fórmula precisa ser debatida, mas a redução temporária de salários seria, de fato, justa. Um projeto do deputado Carlos Sampaio, por exemplo, prevê o bloqueio de 10% dos salários de servidores que recebem entre R$ 5.000 e R$ 10.000, e uma redução de 20% até 50% nos salários acima de R$ 10.000, com a exceção dos profissionais de saúde e segurança que atuam diretamente no combate à pandemia. É uma fórmula possível, mas existem outras.

O Executivo e o Judiciário também estão economizando o pagamento de auxílio-transporte aos seus servidores que estão trabalhando de casa. O valor que tem deixado de ser repassado pode ser remanejado para o auxílio emergencial aos trabalhadores.

Outra medida que deve ser adotada imediatamente é a liberação do saldo completo do FGTS a todos os contribuintes. Além de ser uma questão de justiça, já que a poupança pertence aos trabalhadores, a medida deve amenizar os efeitos da crise e ajudar a injetar recursos na economia.

Por fim, é o caso de os governos de todas as esferas adiarem a cobrança de tributos e de tarifas como as de água e luz. Felizmente, algumas iniciativas nesse sentido já vêm sendo tomadas.

A prioridade do governo deve ser salvar vidas – tanto das vítimas do coronavírus quanto dos trabalhadores que podem ficar desassistidos com a necessária, porém traumática, paralisação de parte da economia. A situação é excepcional, e por isto exige uma reação rápida e eficaz.