Dadas as circunstâncias, o grito de  independência de Dom Pedro I às margens do riacho do Ipiranga por vezes é interpretado como um arroubo impensado do então príncipe-regente, dono de um temperamento imprevisível.

Mas a independência do Brasil já estava sendo desenhada havia alguns meses – pelo menos desde o “Dia do Fico”, em 9 de janeiro de 1822. Se não acontecesse no 7 de setembro, o grito de liberdade certamente viria pouco tempo depois. 

Como disse a imperatriz Leopoldina, em carta enviada a Dom Pedro I em 2 de setembro: “O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com vosso apoio ou sem vosso apoio, ele fará sua separação. O pomo está maduro, colheio-o já, senão apodrecerá”.

A frase final da carta deixa ainda mais claro que o príncipe já planejava a independência: “Já dissestes aqui o que ireis fazer em São Paulo. Fazei, pois”.

A inevitabilidade da separação entre Brasil e Portugal era evidente. A antiga colônia era grande demais, auto-suficiente demais para ser controlada por Portugal. Dom Pedro I, Leopoldina e o conselheiro mais influente do reino, José Bonifácio, tinham essa convicção.

De fato, a independência é uma consequência natural da capacidade de autogoverno.

E, para além doo plano político, essa autonomia precisa ser exercida no plano individual. 

Um país verdadeiramente livre se fundamenta em cidadãos livres, com clareza moral. Cidadãos livres precisam, até mesmo antes de exigir os seus direitos, reconhecer os seus deveres – dos quais apenas parte está na lei escrita.

A independência do Brasil dever ser reconquistada a cada dia, em cada lar, escola, igreja, Câmara de Vereadores. E, para que este país continue governando a si próprio, é preciso que cada um de nós o faça.