Pouco menos de um mês após o segundo turno das eleições, o novo governo já tem suas principais peças definidas. E, de forma geral, os sinais são promissores: Paulo Guedes na Economia, Sergio Moro na Justiça e Ricardo Velez Rodriguez na Educação são ótimas escolhas, e boa parte dos demais nomes anunciados por Jair Bolsonaro tem tudo para fazer um bom trabalho.

Também é positiva a notícia de que o presidente desistiu da ideia – divulgada por ele próprio – de nomear seu filho Carlos Bolsonaro como ministro da Secretaria de Comunicação Social. Carlos não cumpre o critério técnico prometido pelo pai (já que não tem formação ou experiência profissional na área) e, pior, deixaria o governo aberto a críticas de nepotismo. Não sem razão: embora a legislação permita que um presidente nomeie parentes para um cargo de primeiro escalão, a prática não é desejável em um regime verdadeiramente republicano. Pela política, a decisão de Bolsonaro também demonstra cuidado de evitar que, por meio de uma suspeita, adversários busquem desestabilizar o que consideram um governo ilegítimo.

Por outro lado, Bolsonaro nomeou políticos para os ministérios da Saúde e da Agricultura, o que motivou algumas críticas. Ao contrário do que ocorreu em governos anteriores, os dois nomeados (Luiz Henrique Mandetta na Saúde e Tereza Cristina na Agricultura) têm experiência nas respectivas áreas. Mas cabe reforçar que defender a saúde não é necessariamente defender os médicos, e defender a agricultura é diferente de atender os interesses imediatos dos grandes produtores rurais. É preciso que o novo governo esteja atento para não cair em armadilhas do corporativismo.

Também é preciso ficar atento às promessas de campanha. Jair Bolsonaro anunciou, repetidas vezes, que gostaria de ter em torno de 15 ministros. Depois, disse que aceitaria 17; agora admite que o número pode ficar em torno dos 20.

O novo governo ainda tem muitos desafios a enfrentar até a posse. Um dos principais deles é a construção de uma base sólida no Congresso Nacional, capaz de aprovar medidas essenciais mas não necessariamente populares, como a Reforma da Previdência.

Cabe aos institutos independentes como o Monte Castelo, à imprensa e aos parlamentares manter vigilância sobre o governo e cobrá-lo. Se é verdade que o presidente eleito deu declarações preocupantes no passado, também é fato que os sinais do novo governo são, de modo geral, promissores.